segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A rotina de um ansioso

Tem dias que você acorda bem. Fica bem até chegar no trabalho, pois consegue tirar mais uma soneca no busão. Assim que chega, nem liga o computador e corre para pegar um café. No primeiro gole, queima a língua. Isso é o suficiente para acabar com seu "bom humor" matinal. Passa. Sobrevive. Liga o computador.
Depois de 10 minutos, seu chefe lhe pede 500 coisas para fazer. Você inspira, procura organizar as coisas na cabeça, entra no Facebook, vê as notícias nos sites. Fica triste pela situação do mundo. Se desespera por não querer mais viver neste planeta. Procura uma música e acaba sempre nas mesmas por sugestão do Youtube. Passa. Vê os sites de entretenimento. Volta.
Planeja, apesar da instabilidade dentro de você, tirar as coisas da cabeça e começar a trabalhar. Busca fontes, vê exemplos, se inspira. Têm ideias. Depois ouve comentários sobre notícias ruins, fica intolerante as diferenças. Volta. Se aborrece por estar ali. Queria estar numa praia.
Sai para fumar. Fuma dois cigarros. Volta para a mesa do escritório, busca uma música mais animada. Olha o celular. Nenhum Whatsapp. Vê o Instagram, fotos lindas, pessoas lindas, lugares lindos, fim de semana animador dos colegas... e a sua incrível ressaca moral de uma Bad Trip. De pensamentos constantes de bagunça mental (nada mais).


(Bipolar? De Lua? Louca? Paranoica?)

Procura se concentrar, ter foco. Abre o power point, começa a escrever. Para. Se distrai com pessoas passando pelo corredor. Enche a garrafa de água de 1 litro até a tampa. Bebe metade. Celular vibra. Responde a mensagem no celular. Se sente aliviada por ainda esperar e receber atenção. Para de novo.
Começa a filosofar o por que a vida deve ser tão louca, quando se tem tudo ao nosso redor para aproveitarmos. Se sente bem por saber o que é bom. Para de novo. Pensa em fumar, desiste, pois acabou de sair. Busca novas referências. Lê. Treinamento da empresa. Novas ideias, inspirações, esperança, expectativas. Volta.
Come a pior comida de todos os tempos. Se sente gorda. Feia. Precisa voltar a correr. Volta. Escova os dentes, limpa os novos aparelhos que causam mais dor que qualquer outra coisa que imaginava. Espera a fila do banheiro. Volta. Fuma um cigarro, de novo, pois não há sensação melhor depois de escovar os dentes. Volta e começa a trabalhar.
Escreve. Busca. Se distrai mais uma vez com novos pedidos. Entra nas redes sociais mais uma vez. Chora por se sentir um ser insignificante e sem razão na vida. Reza, pede a Deus paz no coração. Termina. Começa uma nova tarefa. Termina. Conversa com colegas do trabalho. Ri. Chora de rir. Se sente bem.
Procura outras coisas. Se empolga. Volta a falar no Whatsapp. Sente fome. Lembra que ta com aquela "sobra" na cintura. Fica com fome. Lê horóscopo. "Dia favorável para ficar na sua". Fica triste. Se aborrece. Sai pra fumar. Pensa na viagem que vai fazer. Pensa nas férias que estão chegando. Se sente animada. Volta.
Volta e se olha no espelho. Faz uma palhaçada para distrair. Tenta pensar com otimismo. Aquilo não é realmente nada e você deveria se amar mais... Ser mais grata pelas coisas que têm. Chora. Pega o livrinho de Mensagens do Dia. Aprende. Não pratica. Volta. Chora. Busca. Pergunta. Anseia.
Pega o busão lotado das 18 horas. Se irrita. Xinga mentalmente. Joga Candy Crush. Perde as 5 vidas. Por mais besta que pareça, associa aquilo a sorte da vida. Se acha louca. Volta. Escuta uma música... Tenta entender o inglês. Fica feliz por entender.
Chega em casa. Deita. Pensa. Alivio. Esperança por dias melhores. Amanhã eu vou mudar. Se ilude. Complica. Chora mais uma vez e pensa nas coisas que está perdendo por PERDER o controle. Boba. Escuta a mãe. Fala com o irmão. Faz um carinho na cachorra. Espera uma notícia boa. Se conforta por alguns ainda não desistirem de você. Lembra que a força do pensamento é o que atrai as coisas para a vida. Volta. A ansiedade te aborrece... Fica aborrecido por causa da ansiedade.
Busca soluções na internet. Volta. E procura manter a mente mais quieta possível até o sono vir e capotar. Toma um banho, janta, não sasseia. Não há apetite. Busca problemas. Doenças relacionadas ao estado mental. Faz um auto diagnóstico de distúrbios de um jovem adulto. Espera. O sono vem.
Agradece. Pede. Fica feliz por um dia seguro. Fica feliz por não desistir. Fica feliz por ainda tentar, ainda lutar... contra as voltas da vida, contra as voltas da "bad", contra a depressão. Volta. Ansiedade. Mas renasce com sonhos. Espera. Completa o coração. Se abre a novas possibilidades. A nova vida. Se sente feliz por estar ali no conforto do seguro. Para e volta.
A paz é um estado de espírito. Assim como a ansiedade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Perdoe-me

A pior parte dentro do meu corpo é a consciência. Ela me cutuca e me sussurra todos os meus incômodos. A cada dia consegue me laçar uma corda no pescoço. Sufoca-me em meus próprios defeitos. Dolorosa a minha culpa e como esta consciência me traduz em um ser muito imperfeito.
Asfixiada em mil pensamentos. Não consigo raciocinar, nem pensar friamente, calcular menos os danos ao meu interior. Culpo a mim mesma por tudo e capacito ainda mais este medo dentro de mim. E como explicar o que há dentro de mim?
Pensamentos magoados que me importunam por não querer ser assim... Mas sou! Sou uma devedora de promessas, de palavras, de integridade... E por mais que conflite diariamente para escapar, sou presa e condenada das minhas reflexões destruidoras.

Isso não é orgulho! Dói ainda mais em mim por falar. Por vezes a tentativa de me esquecer é justa e apropriada para o momento. Não há nada pior do que você se enxergar como próprio inimigo. Pensamentos atraem. Pensamentos tem força. E é você quem atrai as piores coisas para seu ambiente.
Um dia chorei por me sentir tão grande em minha dimensão tão pequena. Tão ingrata. Tão fácil de ser rasgada. Sobrevivendo em total imerso de culpa. É isso que me fode! Saber de cada pedaço de mim e sentir culpa. Nada mais do que vergonha por ser egoísta, ser mimada e incapaz. É tão insuportável que não consigo me aguentar. Sei onde tudo começa, de onde tudo vem, mas não sei onde isso termina.
É ruim ser ingrata. Buscar no fundo da sua alma algo que possa realmente ser satisfatório vindo de você mesma. Não é por mal, é de mim. É de mim culpar a tristeza. Agracia-la com pensamentos ruins sobre mim, sobre outros. Mas isso não é vida para ninguém. E a falta de apreço por si próprio só traz a loucura.
Rezo e peço a Deus para que me afaste da insanidade. Do pânico. Da insanidade da minha cabeça. Peço que me tire os obstáculos que eu mesma coloco. Peço que ilumine a fronteira e me dê chance. Perdoar é realmente divino. Ainda mais quando se deve perdoar a si mesmo... E como é difícil. Repreensível o meio que eu mesma me julgo.
Impaciente quem ouve isso e não vê que a busca por algo é na verdade a procura por mim. A busca por espelhos que retratem conforto, que transpareça serenidade nas minhas expressões e atitudes. A busca por quietude do coração... Por auto amor. A busca por pensamentos bons. A veracidade destas palavras tão soltas é a busca interminável por eu. Que apesar de tudo, ainda sou "algo" bom. Eu acho.

"A decade ago, I never thought I would be
At twenty-three on the verge of spontaneous combustion
Woe-is-me
But I guess that it comes with the territory
An ominous landscape of never-ending calamity
I need you to hear, I need you to see
That I have had all I can take and
Exploding seems like a definite possibility to me

So pardon me while I burst into flames
I've had enough of the world and its people's mindless games
So pardon me while I burn and rise above the flame
Pardon me, pardon me... I'll never be the same."