terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Encontros e despedidas


Nada como juntar todas as tranqueiras do seu quarto, do seu armário e joga-las fora. Nada como guardar os ingressos de shows, de exposições, cartas e fotos numa caixinha. Aquela caixinha de lembranças que enchem o coração de alegria quando abro. Nada como ter um ano novo para restabelecer a ordem e seguir novas perspectivas.

2013 foi um ano difícil. Saúde, amores, amizades, casos e acasos. Talvez até mais difícil do que os outros, pois neste ano abri a porta para o auto conhecimento. É difícil entender o porque somos assim e porque agimos de determinado modo. E talvez nunca saibamos de fato. Mas a mim, eu descobri algumas coisas.
Saber o porque você age de determinado modo é um pouco crucificante quando o motivo não lhe agrada. Saber que ainda existem feridas, que existem coisas que você não esqueceu. Que você de fato não queria esquecer. Saber que algumas pessoas ainda te magoam muito, assim como determinadas situações.

Esse ano fiz diversas coisas que não gostei. Trai, menti, falei mal de quem não devia, julguei gente que não merecia, me aproximei de quem não merecia, me afastei de quem eu gostava. Mas isso não é novidade, né?! A vida é uma soma de diversos erros e acertos. Talvez essa ainda seja minha maior dificuldade... aceitar que eu também erro. Que apesar de todos os meus esforços, vou acabar me magoando, vou acabar magoando alguém, vou chorar, vou sorrir... e assim vai. A vida segue. A vida já subtrai muito, que fique apenas o que soma.

É engraçado, pois sou apegada a cada detalhe. A cada carta e foto. Gosto das minhas lembranças, como já disse... mas chegado o momento de viver novas. De abrir portas para o que há de bom para permanecer na minha vida. Ou até mesmo chegar e ir embora... desde que seja eterno. Eterno nessa caixinha.
Lembrar que tive pessoas especiais, umas que ficaram e outras que se foram. Lembrar que não importa o que aconteça essas pessoas que foram, serão importantes para mim de algum modo. Diferente cada uma da outra. Cada uma com seu jeito e cada uma com sua importância.
Abrir e lembrar de cada momento... É uma grande saudade! Mas que o presente vire uma saudade do futuro... e que eu pare de afastar as coisas boas que aparecem para mim com esse medo todo. Com essa mania de perfeição. Que eu aprenda com os erros e não me culpe para o resto da vida. Que eu entenda que cada um viveu e vive sua vida. Que eu perdoe os outros, mas principalmente a mim mesma. Que eu me de novas chances e dê novas chances para novas e velhas pessoas. Que eu caminha em frente... E lembre do passado como uma lembrança e não como um momento que quero viver novamente. Que eu entenda que cada pessoa tem um jeito e sua especialidade. Que esses fiquem para SOMAR!!

Já que 2013 foi o ano oficial da pagação do louco e dos mimimis... termino o meu último mimimi do ano fechando essa caixinha e abrindo outra.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Thaiane está num Ex, Atual, Relacionamento sério, Casada, Ficando com Facebook

Há algum tempo venho pensando muito sobre o que é minha vida dentro dessas redes sociais. Há algum tempo já queria me afastar, apenas para dar aquela clareada. Pensar mais ativamente, ir atrás das coisas que precisava fazer. Terminá-las. Em algum momento eu achava que o que estava me prendendo, e muito, era aquele maldito Facebook.
Depois de alguns acontecimentos que senti minha privacidade ameaçada (por culpa minha e por outras pessoas também), decidi dar um tempo. Aquele tempo que parece briga de namorados que se detestam, mas não conseguem ficar longe um do outro. Sabia que iria voltar mais cedo ou mais tarde. No caso a briga durou uma semana.
Antes de contar os fatos dessa semana cheia de pensamentos bons e talvez até renovadores... Vamos a história do meu relacionamento com redes sociais e toda essa "patifaria" de tecnologias e "globalização"... por assim dizer.

Comecei minha vida na net quando eu tinha uns 13 anos. Descobri o Blogger e desde então, meu mundo mudou. Descobri como era legal escrever um diário online e espalhar meus dias para o mundo. Fiquei fascinada pelos blogs personalizados. Por todas aquelas meninas que tinha blogs rosas, cheio de coisas e aqueles GIFS animados. Quando aprendi a fazer um template, quando aprendi a fazer gifs animados... meu mundo se tornou uma luz inspiradora para o futuro. Até tinha pensando em ser webdesigner. Puf.
Adorava aquele mundo das meninas que compartilhavam suas vidas ricas e cheias de acontecimentos marcantes. Depois disso acredito que foi uma série de redes e novas plataformas para me infurnar ainda mais nesse mundinho.
ICQ, Flogão, Fotolog, Orkut, MSN, e todas as OUTRAS MILHÕES de redes sociais. Acredito que tive quase todas, pois sempre gostei disso. Sempre gostei da ideia de ter o que falar, ter onde me expressar. E a internet, por bem ou por mal, deu a nós essa "liberdade".
Enganei-me com a vinda do maldito Facebook. Diferente dos outros, essa rede social permite de uma forma bem mais elaborada de "criar conteúdo" e compartilhar. Tudo. Exatamente tudo se pode fazer com essa ferramenta. Você está fazendo coco, e quer compartilhar... ALÁ. Que maravilha! Capaz de saberem até a cor e o cheio do mesmo. -nojo.
Sem exagerar mais.
Passei todo esse tempo, interligada a tudo e a todos. Fiz muitos amigos, desfiz de vários. Tive OUTRAS MILHÕES de brigas por causa desses "carinhas". Pois tudo - como tudo na vida realmente passa - passou.

Ao fim do meu drama, contarei minha semana longe do maledito em questão. Conto que foi, na maior parte do tempo, bom. Em uma semana sem Facebook: eu assisti 15 filmes, acabei de ler meu livro e já estou na metade de outro. Fui a uma exposição que estava adiando. Fui no show do Incubus. Resolvi minhas pendências domésticas. Voltei aos antigos Twitter e fiquei mais ativa no Instagram. Voltei para o Tumblr que é um outro compartilhador fantástico e muito mais bonito.
Tudo isso não passou talvez de uma crise e uma mania minha de pensar demais. Contudo, acredito muito que nossas informações, nossas vidas estão a jogo nesse mundo da internet. É preciso MUITO ter cuidado com tudo o que se fala, tudo o que se posta e tudo o que se compartilha. Pois já sabemos e já temos exemplos claros no que uma coisinha pode virar. Tirando todos os cuidados NECESSÁRIOS... há também algo que sempre me intrigou no Facebook... Essa mania de todos de POSTAR TUDO.
Acreditei por um período que aquilo poderia até ter algum beneficio. Afinal, estamos dando "vozes" aos que não falavam e aos que precisavam de um "espaço". Mas sem delongar, sabemos que não é assim.
Fora as mentiras, as hipocrisias que escrevemos... temos essa necessidade e vontade de provar as coisas para alguns. Mostrar o que estamos ouvindo, o que estamos fazendo, onde estamos indo, onde fomos, com quem e porque. Declarações infinitas de amor. Fotos e mais fotos. Trollagens (até engraçadas) para todos os lados.
Eu como uma boa "do contra", sinto muito pelo o que tudo isso se tornou. Sinto até pelo meu comportamento em alguns momentos. Afinal, também faço parte dessa MERDA toda.
Quero contatos olho a olho. Gosto quando minha querida amiga Ellen me liga falando sobre seu banho e sobre seu gato que derruba tudo na sua cozinha. kakkakaka. Gosto de fotos reveladas. De lembrar de cada lembrança dela. Sou apegada a momentos, tenho orgulho deles.
Gosto de otimizar meu tempo com coisas uteis, mas claramente isso não estava acontecendo. Perdendo tempo cuidando da vida dos outros, vendo mentiras e mimimi, sendo desrespeitada, entre OUTRAS MILHÕES de coisas. hunf
Eu voltei, mas já com vontade de nunca mais voltar (blá). Infelizmente, estar fora disso é estar fora de muitas coisas, que não vou entrar em detalhes... mas é isso.

Se conselho fosse bom, se vendia, mas segue aqui o meu: Todo o cuidado é pouco.
Aprecie mais a presença offline. Seja transparente PARA VOCÊ MESMO!
E sei lá... que esse blog ainda permanece vivo, mesmo sabendo que ler hoje é para os fortes. E como manter um relacionamento está cada vez mais difícil... Com você ainda não terminei... Seu filho da puta de Facebook.

Ps: desculpem o excesso de aspas.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Mulheres de atenas

Mulher que gosta de sexo é vagabunda.
Mulher que não gosta de ter compromisso é puta.
Mulher que é independente, que paga suas contas sozinha é mal amada.
Mulher que não tem um relacionamento estável é encalhada.
Mulher que não tem filhos é inútil. 
Mulher que trai é vadia.
Mulher que dá em cima de homem comprometido é vaca.
Mulher mais velha que não é casada é frustada.

Tantas e tantas outras formas de entender a situação que NÓS mesmas ainda nos colocamos. Não quero pagar de feminista, porque não sou. Tenho ainda todos os requisitos de uma mulher que quer se encaixar dentro dessas badernas todas. Mas fiquei pensando, em como nós mulheres, somos condicionadas a não ter opinião e nem vontade.
É triste. Mesmo tendo essa evolução nos pensamentos das mulheres, a gente ainda vê, e muito, a parte machista dominando. Estou falando isso pela própria atitude de nós, mulheres... somos ensinadas a ser omissas.
Por que mulher que fica solteira é encalhada? E o homem é solteirão, aqueles bem resolvidos? Que não encontraram a mulher certa?
Pelo menos, falando de mim, a atitude vem comigo. Eu que me posiciono e coloco também as mulheres ao meu redor nessa situação. Não é crédito unicamente dos homens machões (ahhh os vilões)... NÃO! A gente que dá permissão para estar sendo condicionada. (É bom deixar claro que estou generalizando!)
Esse negócio de que SÓ mulher quer casar a qualquer custo, porque é FEIO mulher com mais de 25 anos com o currículo "solteira". Não. A gente acaba ficando com quem não gostamos, aceitando coisas que não queremos porque temos esse tal medo de ficar sozinha. 
O medo da mulher de ser aquela que fica para "titia". Isso tudo é uma idiotice, mas é a realidade. Quantas amigas suas falam: Estou bem sozinha e estou resolvida. Não!!! São poucas e estou partindo pela maioridade.
Da onde vem essa história? De onde vem esse medo de ficar sozinha? Talvez esse não seja o principal motivo, mas é um grande determinante.
Homem que gosta de putaria é o cara. Mulher tem que ser aquela bem comportada, que se veste adequadamente, que tem o cabelo, as unhas muito bem feitas TODOS OS DIAS, que não podem ser atiradas, que não devem de jeito NENHUM dar em cima de um homem. Mulher não pode querer fazer sexo sem compromisso, muito menos gostar disso. Mulher de verdade é aquela que quer casar, ter filhos, ter uma boa relação com o marido, entendê-lo sempre, ganhar menos que ele, aceitar o jeito cafajeste dos homens e ainda por cima estar disposta a transar todos os dias, com muita empolgação e sendo safada (mas nem tanto) com seu único homem. Têm que estar sempre depilada porque pelos está fora de moda e porque alguns homens não gostam de fazer sexo oral quando a menininha está com pelos na vagina.
Mulher boa é mulher omissa. Mulher boa é aquela que não dá em cima do meu marido, que fica longe de encrencas. Mulher boa é aquela que NUNCA é ciumenta, que sempre está disposta a conceder e ser disposta a entender tudo a qualquer hora. Mulher boa é mulher gostosa! Corpo definido. Mulher boa é aquela que apanha calada, olha para os filhos e não vai embora!


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"São tempos difíceis para os sonhadores."

Sonhar faz parte de um processo de luta constante. Infelizmente o outro lado as vezes ganha. O lado que desmorona toda a sua capacidade de manter-se. Mante-ser sonhador e capaz. Aquela coisa de acordar diariamente pensando nas coisas boas, no futuro bom e nas boas ações, por exemplo. Aquela coisa de acreditar!
Talvez esta minha história de muro seja só uma coisa fantasiosa da minha mente. Porque tudo ao meu redor me afeta... E muito! Já passei por algumas coisas, que antes me afetavam mais, agora me afetam menos ou não afetam nada. Contudo, parece que a vida dá um jeito de arranjar outra maneira de me cutucar. Essa tal "capacidade".
O cansaço, o jeito que levamos a vida, as coisas erradas que acontecem. E quanto mais lemos, mais aprendemos, mais vivemos... parece que tudo deixa de parecer luminoso... parece que deixamos de ser humanos. De ser emocionais.
Tudo começa a ser real demais. Dolorido até! Mas aquele dolorido que você acaba se acostumando. A realidade é uma bebida amarga, que todos os dias nos desce um pouco mais. Aquele copo de cerveja que quando você é mais novo te deixa bêbado, e depois seu corpo acaba se acostumando também.
Talvez seja só mais um drama. Ahhhh....
Mas pensar em não ser sonhadora me assusta. A realidade me convida, para uma dança... uma dança interminável. Perder a ingenuidade é triste. E realmente, a ignorância é uma dádiva!
Porém, eu sempre tive as dúvidas... Muitas perguntas. Nunca me permiti estar errada ou falar sem propriedade. E se fiz, me arrependi profundamente, como uso da burrice que jamais quis utilizar.
Aprender e descobrir que é...  tudo isso aqui é difícil. E às vezes me desanima.
E ah... essa semana eu estou desanimada!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Asas de papel

Tudo hoje é intenso, rápido, sagaz, perto e cheio. A relação que criei, e que percebo que algumas pessoas criaram também, é tão completa. Porém, só durante um tempo. O tempo se vai e o que era o  culminante, se torna mínimo. O cheio se torna vazio. Procurar a completude parece ser, mais uma vez, a nova missão.
O que era veloz, se torna inábil de proceder um caminho tão longo e não tem mais tanta força assim. O perto se distancia... porque entra numa rotina de lugares certos, caminhos certos, modos certos... e o certo não te agrada. Te enjoa.
A intensidade acalma... e as coisas passam a ser chatas novamente. O descartável é palpável e tão próximo, que a dor de uma "perda" se torna devastadora depois.

O que é, de fato, todo o sentimento que passamos na vida? Que tanto intensificamos, que tanto queremos e corremos atrás? Por quando ter, não queremos mais?
Não damos o valor a vitória, muito menos ao ganho. Passamos despercebidos pela grande capacidade de se superar. E queremos sempre... sempre... e sempre mais.

É uma angústia saber que nada é pra sempre. Que todo o sentimento completo e complexo pode ir embora a qualquer momento. Como uma brisa temporária... que nos preenche, nos acarece a alma e logo se anula. Um produto. Nossas almas também estão sendo comercializadas!

O que tornamos, o que nos fez, o que sentimos... Vira um produtinho. De vida útil curta que em breve pode acabar, tão cedo assim como começou. E me pergunto se existiu mesmo a luta... a vontade... o sentimento. Por que se desfazer??? Por que o fim? Tenho dificuldades de lidar com isso.

Ser descartável. Como um pedaço de papel usado, amassado, riscado e rasgado. Jogado no lixo sem a possível reciclagem. E tudo que aprendemos é:
Isso foi um aprendizado.
Nada na vida é por acaso.
O destino quis assim.
Deus escreve certo pela sua vida.
E comece novamente uma "nova vida".

No fundo, quero acreditar em todos esses clichês. Acreditar que não perdi nenhum tempo da minha vida, apesar de todo o fim. De amizades terminadas, de sentimentos finalizados, de momentos esquecidos. De opiniões não tão certas indo embora. De momentos tão importantes, sendo substituídos. De lembranças fortes, criando uma nova relação com a necessidade de ter isso comigo realmente.

Querer o novo me acomoda, mais que o sustentar o velho. A possível mudança está mais trabalhada na minha mente do que a rotina devastadora. Minha mente trabalha para destruir o que me acomoda. Mas o que me acomoda, foi ou é suficiente? Será que posso perceber isso? Tudo é tão pequeno.

A rotina satura seu corpo, e mesmo assim, você não gosta daquilo. Você quer algo novo. Pessoas novas, novos encontros, novos gostos, novos motivos e um caminho diferente para conhecer.

Por que querer tudo? Sendo que o tudo que quero e consigo, se despedaça com o tempo? Se torna vazio. Por que a necessidade de algo novo? De algo a ser desafiado e vencido? E os motivos anteriores? E as lições aprendidas? E os sentimentos tão fortes e capazes de serem o fim do mundo, quando de fato, não passaram de meros momentos?

Pensei sobre, como nós descartamos tudo que nos acomoda. Tudo que nos pertence. Tudo que cai na rotina. Queria entender a necessidade de cada um. Mas talvez, possa explicar a minha.
A vida nos dá diversas coisas.
A ânsia da vida, em pegar tudo, em viver tudo (impregnado por essa sociedade) me tira a razão. Me coloca na ingratidão. O que eu realmente quero? Posso querer algo eterno? Algo que não tenha fim? É a idade que me convence de que devo procurar algo mais firme e consequente?

Acho que cansei.
Cansei de pagar R$ 7,00 em cerveja ruim. Cansei de estar num lugar com música ruim. Cansei de ir numa balada para dançar e não dançar nada. Cansei de encher a cara por motivos imbecis. Cansei de usar a vida, e ela não me permitir usá-la.
Cansei do toque esquecido. Cansei do esquecimento do primeiro frio da barriga. Esqueci do meu primeiro beijo, e como aquilo na época me deixou radiante. Lembro do fato, mas não do sentimento.
Cansei de mudanças rápidas, mas as quero para viver algo que não seja vazio. Cansei de tudo que o orgulho faz e deixa de fazer. Do meu ego que me persegue e me cega. Cansei de ser mimada.
Cansei da nossa necessidade de nos provar para terceiros. De provar qualquer coisa para qualquer pessoa. Cansei de agradar. Cansei de fazer as coisas que não tenho vontade.
Cansei de perder noites de um bom sono, para se "socializar". Cansei de investir o tempo com coisas ralas. De perder. Perder o tempo... é... sentir que nada dessa coisa toda realmente foi válido.
Cansei de esperar, de tomar as atitudes. De criar as malditas expectativas. De não aprender que ninguém neste mundo está vivendo para mim. E eu não quero viver para ninguém.

Queria algo cheio de verdade, não descartável.
Não quero mais perder memórias, quero usá-las para rir.
Queria algo capaz de me completar mais do que um ano, um mês, uma semana, um dia.
Queria que toda a minha instabilidade fosse embora e eu pudesse ter a certeza uma vez na vida. De escolher um caminho. De entender que as atitudes serão minhas e o que acontecer será mérito meu. Quando conseguir chegar a vitória... aproveitá-la e degustá-la. Como um bom vinho, como uma boa cerveja, uma viagem, uma comida, um amor, um sentimento, um desejo.

Aproveitar cada minutinho de tudo isso. E não esquecer! Não enjoar. Não ter o sentimento de perda e de desvalorização.
Não querer aquilo que me faz mal. Que me corrói, que me conduz a solidão. Não lembrar mais daqueles que me pisaram, que me construiram, mas que também me tiraram a paz. Quero aprender a apreciar o agora, e consequentemente o depois.
Queria mesmo algo que durasse o necessário. Que durasse um tempo e virasse inalcançável. E a reciprocidade... isso que tanto busco. Mas que nesta vontade de não viver, deixo de lado. Sou egoísta.
Nesta vontade de não perder tempo, de não perder a vida... será que realmente estou vivendo?!

 

And I can't tell if you're laughing
Between each smile there's a tear in your eye
There's a train leaving town in an hour
It's not waiting for you, and neither am I

sábado, 10 de agosto de 2013

The sweet is never as sweet without the sour

Eu provei do amargo. De todos os tipos. Ainda provo todos os dias. Mas parece que a cada tempo aparece um novo tipo de amargo mais destruidor e viciante. É possível dizer isso? Estar viciado num círculo de amarguras e incertezas (que no final viram certezas)? É possível dizer que eu luto para ter novamente o doce, mas parece que o amargo não sai dentro de mim?
Pode-se dizer que todas as vezes é como um abismo? Que as lutas diárias são motivos para continuar novamente na ponta desta queda? Deste alto prédio onde decido pular todas as vezes que estou prestes a ser salva. Mas por que?

Por que sinto a necessidade de construir um mundo de pensamentos e determinados "Fim" dentro de mim? A minha alma parece tão fraca. E é completamente estranho falar de alma. O que é, afinal, a alma?

Será que tudo isso é pela minha falta de fé? Em mim? Em Deus, nas pessoas?

É tão estranho; eu fugi tanto de complicações e elas apareceram. Umas por minha culpa. Mas o sentimento do amargo parece que me domina. Me faz sentir prazer. Porque o doce nunca me foi tão difícil. O doce parece algo em que eu deva morrer para conseguir. Devo ser capaz de obtê-lo e ser merecedora.

O abismo é tão perto. Eu o conheço-o muito bem. Virou meu lugar favorito para viver. Porque parece que de fato, analisando tudo, nunca cheguei realmente a conhecer outro lugar. Tive visitas, mas deixar meu lar, meu aconchego para ter a incerteza?! A minha certeza, na verdade, as coisas que eu sei, estão definidas há tempos. Eu sei o que é meu lar, sei como chegar, sei como mergulhar neste mundo de queda. Mas não, ainda não aprendi a me erguer. Não entendo a salvação. E se soube algum dia, desaprendi com o tempo.

Me lembro quando (até que lembro) quando as coisas eram mais fáceis. De quando eu não pensava muito e as coisas vinham naturalmente. A minha mente funcionava em prol ao bem estar, a felicidade e a fé. Por algum motivo eu perdi. Por ser fraca, por ser influenciável... enfim. Mas eu me lembro quando era tudo mais simples de resolver. E por um tempo foi assim... e foi fácil.
Não digo que foi ruim, mas a queda me ajudou mais. É estranho falar isso? Mas todos falam, não é verdade? Que as dificuldades nos ajudam a amadurecer? E até quando vai isso? Até quando os medos e tormentas vão me dominar?

Não queria fazer isso sempre, mas é um vício. Estou tentando me curar. O amargo me deu o vício da vida. Da chuva, dos pequenos momentos e tormentas. Me resguardo na minha solidão por ser um lugar conhecido. Por eu conhecer o caminho. Outros caminhos, se é que conheci, desaprendi como andar. Estradas sem buracos, não me dão segurança.

O doce algumas vezes me foi fácil demais e acredito que por isso que estou viciada na minha auto piedade. Nesse meu lar.

Deveria ser simples. Eu ando fugindo de complicações. Porque apesar do apego ao amargo, eu realmente quero experimentar o doce. Quero sentir de novo, ou conhecer um novo sabor do que é isso. Aprender de fato a apreciar o sabor deste doce. Deixar esse lar. Mudar de casa.

É triste. É um controle mental absurdo. Dentro de mim este maldito amargo. Correndo entre minhas veias, minhas vontades, meu ser. Como se tudo que eu conhecesse sobre a vida fosse só ele. O resto que passei e que vivi não importa. O amargo me traga diariamente. Se há um dia que não permito isso acontecer, nos dias seguintes ele cai sobre meus ombros e me desmorona. Não sei lidar com ele. Ando tentando. E muito! Mas ele muitas vezes ainda me domina. O caminho que sei é poder deixá-lo me dominar. O que será necessário para fugir desse amargo viciante? 

Pode falar isso? É estranho falar que isso tudo parece uma maldita droga? Uma heroína? É pior que qualquer cigarro... como uma doença. A doença de um rebelde sem uma porra de causa. Ou há causa?

O que a instabilidade me trás? Ao invés de mais tempo esperando e mais tempo pedindo por algo maior?
Sou ingrata. E peço perdão as minhas ingratidões. Cometo alguns mesmos erros por medo de cometer outros. Ou por medo de o amargo não me pertencer mais. Por medo desse novo caminho. Mas eu luto por ele, não deveria ter medo, deveria?!

Ele é dominante. Destrói meu corpo, meu coração e minha alma. E alimenta minha colina e abismo, meu lar. Meus pensamentos, minhas angústias. As minhas únicas certezas. O novo caminho chega tão perto. Mas não sei como caminhar, como lidar com esse saboroso doce. Que derrete na boca de tão bom!

Simples.
O doce nunca será tão doce sem o amargo!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A doença da boa imagem

Acabei de assistir o documentário "Muito Além do Peso" da Estela Renner. E faz um tempo que eu queria escrever que tenho sobre qualidade de vida e peso. Essa coisa de imagem. Vou contar com as minhas próprias priorisobre a sensação grotesca dades, já que não é questão de ciência aqui, e sim um simples relato do que sobrevivo.

Eu me lembro muito bem quando fui chamada de gordinha pela primeira vez. Todo meu mundo se transformou num pedaço de merda. Afinal, não era isso que eu queria ser. Eu queria ser artista, televisionada, atriz. E as mais belas atrizes eram magras! Às mulheres mais bonitas e sexys do mundo eram modelos magras na década de 90. Então todo o meu desejo era me transformar numa celebridade fanática e absurdamente linda = MAGÉRRIMA. 
Lógico que algumas coisas mudaram. Eu não quero mais ser celebridade, não quero mais ser atriz... Mas uma coisa de fato nunca mudou.... Nunca fui magra. Desde que me conheço por gente tenho uma bunda grande, tenho as sobrinhas um pouco acima do quadril, tenho pernas grossas. Enfim.
Chega a ser até meio humilhante para mim abrir esta conversa, porque por mais que meus sonhos tenham mudado, a vontade de ser magrinha sempre me dominou. É como se fosse um pote de felicidade inalcançável que eu JAMAIS poderei ter. E gente teimosa é assim!

É incrível como vai e entra ano, (assim como muitas outras mulheres) eu começo com a minha promessa predileta: "Este ano vou emagrecer". De fato, até emagreço uns quilos ao longo do ano, mas consigo recuperá-los em seguida. Dai vem o efeito SANFONA, tão odiado e penoso para nós mulheres, que tanto almejamos a boa aparência.  
Observando e fazendo um auto estudo, sempre tive este desenvolvimento. Engordar, emagrecer, engordar, emagrecer. Contudo, nos últimos anos o engordar anda ganhando. Assumo que os motivos para comer porcaria vem de muitos lugares, muitas razões. Sou ansiosa, nervosa, estressada (como todos sabem). 

Entretanto, desde que virei vegetariana, algumas coisas mudaram. Hoje em dia, apesar de ainda comer as porcarias super calóricas, como muita verdura, muita salada, sucos, etc. SÓ QUE, como meu consumo de bebida alcoólica e tabaco também aumentou, ficou meio difícil compensar a má alimentação. ~anta~


Enfim. Me lembro bem do dia que me chamaram de gordinha e de como aquilo devastou meu mundo. Aquilo me dominava... ainda domina. Toda vez que alguém me chama de gordinha ou gorda, eu quero arrancar meus pulsos e morrer. Quero me acabar em lágrimas e nunca mais acordar.
Com 15 anos eu sofria ataques de pânico devido a isso. É sinceramente ridículo, mas eu me lembro que uma vez estava sofrendo dores no estômago e uma amiga da minha mãe veio ver meus olhos e disse: "Tania, sua filha está com anemia".

Aquilo foi a maior felicidade que eu poderia ter em um dia comum. Na minha cabeça, aquilo poderia dizer que FINALMENTE eu poderia ser magra e esbelta. Ossos e mais ossos. Pernas finas. E durante um bom tempo aquilo me consumiu (como ainda consome). ~Novamente essa frase~

Lembro que com uns 17 anos, assisti o documentário "Thin" (Magra - 2006, HBO) que falava sobre as garotas que tinham distúrbios alimentares. Eu tinha pena das meninas, mas de fato o que eu mais queria era ser igual a elas... magra. Eu queria muito ter aquela doença, apesar de todos os males que foram mostrados, o que eu queria era ser diagnosticada "Abaixo do peso".

Sinceramente, toda esta minha doença mental sobre imagem nunca me atingiu de fato na saúde. Atingiu até um tempo, mas pouco, como disse de fato nunca fui magra. Já cheguei ao meu peso ideal, mas nunca fui magricela. O motivo acredito que seja pela minha formação familiar. Apesar dos pesares, e de todas as minhas crises, sempre tive meus autos de me adorar e adorar meu corpo como ele é. Admito que isso está envolvido pelo que minha família e amigos me diziam. Era difícil eu me erguer sozinha e me sentir o máximo. Muitas pessoas me ajudaram! Hoje em dia estou com problemas no estômago e rim. Acredito que, além de cigarro e álcool, seja minha alimentação baseada em carboidrato e o sedentarismo. 


Agora... recentemente ando observando como a mídia e toda a publicidade anda aumentando a espaço para os gordinhos. Fazendo séries, propaganda, desfiles PLUS SIZE, etc. Criando efetivamente o contrário do que era imposto nos anos 80 e 90. A aceitação das gordurinhas e, consequentemente, o desejo pelo corpo "cheio" de curvas. Logico que o ideal ainda é ser igual uma Juliana Paes, mas algumas outras coisas estão mudando.

É obvio e comprovado que ninguém 'sobre o peso' é saudável, muito menos a magreza excessiva. Entretanto, por que agora a pregação da nova ditadura da beleza é: Bonito é ser gordo (?).

Não gente, isso não é bonito. E a questão não é nem de beleza, mas sim, de saúde.

Não gente, magreza não é bonito. E a questão não é nem de beleza, mas sim, de saúde.
A questão toda não é o aceitar ser o que você é e sim, cuidar da sua saúde!!! CACETE!

Afinal, o que querem da gente? 

As mulheres de fato são as que mais sofrem com isso. Porque se tu for gorda demais, o cara te larga. Se não for gostosa o suficiente, não vai ter seu número naquela linda calça que você quer comprar. Se for muito magra, os olhos se entortam, te ofendem de palito, etc.

A questão da obesidade, como relata o primeiro documentário que citei (Muito além do peso), aumentou drasticamente, afetando nossas crianças e matando muito mais que homicídios. Sim gente, obesidade mata. Gordurinhas podem te trazer doenças piores. 

Afinal, a pergunta certa seria... O que você quer de você mesmo(a) ?



Com certeza viver. Como no filme "Garden State" (Hora de Voltar) cita: "I know it hurts. But it's life, and it's real. And sometimes it fucking hurts, but it's life, and it's pretty much all we got. "
Pois é, a vida é tudo que temos. Desejamos viver do melhor jeito possível, ou seja, saudáveis. Sei que destruímos a nós mesmos, porém chegada a hora de fazermos diferentes. E digo isso até como próprio conselho para mim mesma!
Sempre me questionei sobre o por que vivo estressada, ansiosa, triste, pesada. Oras, a alimentação influência nisso SIM. Alimentar é seu modo de viver. Sem comer você não vive. Mas se comer tanta merda, com certeza não vai viver também. Apesar do que dizem!!!
Chega de buscar algo que não nos sirva e nunca irá. Porque na realidade, é o que a indústria quer. Que você seja um consumidor insatisfeito e infeliz, para sempre comprar mais e mais e mais. E correr atrás de algo que não te pertence. Chegado ao ponto de você mesmo destruir sua própria vida (sua única prioridade) e morrer mais jovem. E quem quer morrer jovem, na realidade? (Deixando os pensamentos suicidas para trás) kakakaka.

Por que hoje a cultura está mudando e o gordinho está se tornando bonito?! Simples. Eles querem que você continue consumindo Junk-food mais e mais e alimentando um sistema cruel e desastroso de lucro.

São muitas outras coisas que nos influenciam, contudo, indo parte por parte, processo por processo, separando cada parte de si mesmo para que enfim, consiga junta-las... É importante nos conhecer, sozinhos. Não deixar influências definir o que você é capaz de ser. Se permitir abrir a mente e conhecer! Escolher uma opinião. Afinal, são diversos modos de opinião.
E a minha frase final é: Preciso emagrecer 7kg. Não por estética, e sim, por saúde! É difícil acreditar, mas é preciso aprender um dia (e eu vou aprender). Além disto, mudar hábitos alimentares e também hábitos de melhorar a auto-estima sem depender de uma MERDA de sociedade.

Ps: Sugiro à todos que assistam os dois documentários:
Do "Muito Além do Peso" eles disponibilizam online: 
http://www.muitoalemdopeso.com.br/